Com confiança no futuro,<br>reforçar a luta no presente

Rui Fernandes (Membro da Comissão Política do PCP)
Todos os dias e a quase todas as horas querem fazer-nos acreditar na inevitabilidade do capitalismo como único sistema e fazer-nos acreditar que todos suportam os sacrifícios gerados pelo capitalismo, a única saída que existe.

O PEC é uma autêntica declaração de guerra aos trabalhadores e ao povo

Trata-se de uma poderosa ofensiva ideológica que assume roupagens diversas mas desaguando sempre no mesmo ponto – o da sua inevitabilidade. Na transmissão, reprodução e consolidação desses conceitos e teses, a comunicação social assume um papel relevante. E nessa acção o Partido é o alvo principal, seja pelo silenciamento das suas posições e iniciativas seja pelas distorções, caricaturas ou mesmo falsidades que sobre ele fazem recair. Uma singela pergunta, todavia, mantém-se: como pode um sistema gerador de guerras e de abissais desigualdades, que olha o ser humano como fonte de lucro, ser o desejo da humanidade para o seu futuro? Não pode! Por isso, como Partido Comunista que somos e queremos continuar a ser lutamos e intervimos pela transformação social e afirmamos o socialismo como o futuro. Por isso dizemos que Portugal não está condenado à destruição do seu aparelho produtivo, a um modelo assente nos baixos salários, à crescente dependência das orientações de classe da União Europeia. Por isso afirmamos que a situação em que o País se encontra é a expressão das opções de classe dos sucessivos governos, cujas políticas têm servido uma estratégia de reconstituição do poder económico pelo grande capital e de destruição dos direitos sociais, económicos, culturais e políticos conquistados pelo povo português com a Revolução de Abril, cujos 36 anos estamos prestes a comemorar. A luta de classes agudiza-se O Orçamento do Estado para 2010, apesar da barulheira que o PSD e o CDS-PP fizeram, confirmou-se como o ponto de convergência da política de direita. Não por razões do interesse nacional, como repetiram até à exaustão, mas por razões da política de que ele é expressão. O denominado PEC é o prolongamento agravado dessa política, uma autêntica declaração de guerra aos trabalhadores e ao povo, que a demagogia do PS não consegue apagar mas cujas consequências agravarão a situação social, económica e a soberania nacional. O PEC prossegue a mesma lógica que conduziu à denominada crise – a penalização dos salários e dos apoios sociais; agravamento do desemprego; aceleração da desregulação das relações de trabalho; entrega por completo ao grande capital das empresas estratégicas como a ANA, a REN, os CTT, a GALP, entre outras; o favorecimento do capital financeiro e das suas negociatas. Esta é uma política que em nada defende o interesse nacional que enche a boca do PS, PSD e CDS-PP. Na verdade, esta é uma política antinacional e que envolve cada vez mais Portugal em conflitos ao serviço dos interesses imperialistas. E, porque assim é, as medidas antipopulares e anti-sociais são acompanhadas de medidas que reforçam a lógica securitária e repressiva no que respeita às Forças de Segurança; atacam e visam subverter o papel do Ministério Público na área da Justiça; alteram a natureza, os conceitos e as missões das Forças Armadas, sendo parte constitutiva desse processo o novo Conceito Estratégico da NATO em elaboração e cuja aprovação ocorrerá em Novembro, numa cimeira a realizar em Lisboa. Ligar o Partido às massas e as massas ao Partido
Por um PCP mais forte
A Campanha de Esclarecimento lançada no início do ano, e que agora termina enquanto tal, contou com muitas centenas de iniciativas das mais diversas. Mas tal campanha tem de continuar como parte integrante e natural da nossa acção como Partido. Estreitar a ligação do Partido aos problemas dos trabalhadores e das populações, dar-lhes expressão reivindicativa e conteúdo político e ideológico deve constituir algo de tão natural como o ar que respiramos. E naturalmente que isso será tanto mais fácil conseguir quanto mais fortalecidos estivermos, quanto melhor organizados estivermos, quanto maior ligação tivermos às empresas, às freguesias, aos bairros, mas também quanto mais trabalho dirigido fizermos junto de importantes camadas sociais como os reformados, as mulheres, os imigrantes, os micro, pequenos e médios empresários e outras camadas antimonopolistas. Somos um Partido de luta, mas também somos um Partido de proposta. Comemoramos este ano o 89.º aniversário com uma história que nos orgulha e, não ignorando as dificuldades e as tormentas para onde nos arrasta esta política de direita, afirmamos a nossa confiança no futuro, um futuro livre da exploração do homem pelo homem.


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